No dia 5 de março de 2026, o Conselho Universitário da UFMG deu um passo decisivo para a democratização do ensino superior. Foi aprovada a contraproposta apresentada pelos coletivos estudantis, estabelecendo a reserva de mais de 2% das vagas (162 no total) para pessoas trans.
A UFMG agora se soma a mais de 38 universidades brasileiras que já possuem políticas de ações afirmativas para essa população. A decisão não é isolada, mas fruto de um debate científico compromissado ética e politicamente.
O Nuh publicou, em dezembro, um relatório mostrando que a própria UFMG já produziu 64 trabalhos acadêmicos sobre a temática trans. Além disso, 18 teses e dissertações sobre acesso e permanência de pessoas trans no ensino superior foram recuperadas no sistema da Capes. Não há falta de dados que justifiquem políticas de reparação. Desconsiderar as informações acumuladas ao longo das últimas décadas é parte da estratégia negacionista do ecossistema ultraconservador transnacional.
As cotas trans reafirmam que um projeto político de universidade não é feito apenas de prédios, livros e carteiras, mas de corpos ativos na transformação social e na vida política.

