Gráfico 22 – Rendimento mensal das entrevistadas, em salários mínimos, obtido em todas as ocupações

* Os intervalos foram construídos tendo como referência a média salarial dos anos de 2012, 2013 e 2014, anos em que a pesquisa foi realizada. Calculou-se a média da seguinte maneira: R$622,00 (2012) + R$ 678,00 (2013) + R$ 724,00 (2014) = R$ 2.024,00 / 3. Logo, o valor final foi de R$ 674,66, valor referência para a construção dos intervalos.

** Os dados referem-se a um total de 127 participantes.

 

No que se refere ao rendimento mensal total obtido em todas as ocupações, quando pensando em salários mínimos, verifica-se que 2,40% (3) das entrevistadas recebem até 1 salário mínimo; 3,90% (5) entre 1 e 2 salários mínimos; 29,90% (38) entre 2 e 5 salários mínimos; 36,20% (46) entre 5 e 10 salários mínimos; e 27,60% (35) acima de 10 salários mínimos.

Para analisar a renda das entrevistadas é imprescindível se considerar as assimetrias no campo das relações de gênero como, mais especificamente, a inserção do público investigado em um registro bastante singular: o trabalho sexual. Tal categoria profissional está vinculada à informalidade, sem praticamente nenhuma garantia trabalhista e que, por suas características político-instituídas, tende a expor suas profissionais a situações de violências, chantagens e extorsões. Além disso, é necessário pontuar que esta é uma carreira curta, o que traz instabilidade na remuneração das profissionais desta área com o passar do tempo, sendo praticamente inviável uma construção de plano de carreira.  

É preciso considerar também o quanto sua renda fica comprometida com seus gastos cotidianos: a manutenção e construção de uma identidade feminina marca suas experiências, na maioria das vezes, por um alto e constante investimento de capital no campo da estética e beleza – requisitos fundamentais em sua atividade laboral. Somando-se esses valores aos demais dispêndios envolvidos em seus processos de modificação e construção corporal, verifica-se que embora parte significativa dessas pessoas possam adquirir uma renda relativamente alta no mercado sexual, os gastos envolvidos nesses processos também são muito grandes. 

Ademais, os dados coletados na pesquisa sobre acessos a direitos, demonstram que essa renda não necessariamente implica em um poder aquisitivo comparável ao restante da população com igual renda, uma vez que os efeitos da transfobia podem inflacionar seu custo de vida, tornando seu acesso a determinados bens e serviços muito mais oneroso do que se observa em geral – fato que é corroborado ao nos voltarmos para esferas como moradia, lazer, saúde e educação, âmbitos que permanecem como um campo cuja trajetória  social revela uma incorporação precária de um certo modelo de bem-estar.

 

 

 

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