O projetoDireitos e Violência na Experiência de Travestis e Transexuais da Cidade de Belo Horizonte: construção de um perfil social em diálogo com a população” é um estudo do tipo corte transversal e teve como objetivo traçar o perfil de travestis e mulheres transexuais que exercem trabalho sexual na capital mineira e região metropolitana, tendo como principais referências para esta construção os eixos “perfil socioeconômico”, “trajetória escolar”, “redes de sociabilidade”, e “acesso a políticas e instituições públicas”. Estas informações foram coletadas através de dois métodos de investigação: a aplicação de questionários estruturados e a realização de trabalho de campo de cunho etnográfico, tanto nos locais de trabalho como em outros espaços de sociabilidade desta população. 

 

O projeto teve seu início no ano de 2011, porém seu período de gestação remonta ainda ao ano de 2010, quando alguns alunos de graduação, sob a orientação do Prof. Dr. Marco Aurélio Máximo Prado, realizaram um estágio curricular em Psicologia, denominado Psicologia Comunitária – Teoria Queer, pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o qual buscou mapear e conhecer vivências de travestis e mulheres transexuais em Belo Horizonte, pela atuação direta desses alunos junto a esta população. Realizado por meio da inserção etnográfica da equipe em quatro das principais áreas em que travestis e mulheres transexuais exercem trabalho sexual na capital, o estágio serviu para evidenciar a urgente necessidade de elaboração e aprofundamento de pesquisas junto a esta população, demonstrando os contextos de vulnerabilidade e exclusão em que a mesma estaria envolvida. Proporcionando, pois, diversas reflexões acerca destas experiências, o estágio configurou-se em um trabalho preliminar e gestacional do que viria então a ser o presente projeto. Dentre as principais contribuições que o mesmo proporcionou, destacam-se o mapeamento dos locais em que travestis e mulheres transexuais exercem trabalho sexual em Belo Horizonte e Região Metropolitana; informações gerais acerca dos contextos que as envolvem; estratégias de aproximação junto a esta população, além, é claro, da troca de experiências entre os diferentes membros que compuseram – e que ainda compõem – esta pesquisa. 

 

Deste modo, a pesquisa aqui apresentada procede de um conjunto de experiências investigativas, as quais, a partir da interação social com os sujeitos pesquisados, visaram não apenas um estudo empírico e teórico dos mesmos, mas também uma possível transformação social em seu meio. Assim, os delineamentos metodológicos adotados buscaram ser participativos, no sentindo de provocar o universo da população estudada, seja por meio da realização de eventos, como encontros, rodas de conversa e debates, seja na elaboração de materiais informativos, campanhas contra o preconceito ou mesmo na distribuição de preservativos para esta população. 

 

Os caminhos percorridos pela pesquisa estiveram organizados da seguinte maneira: 

 

Levantamento bibliográfico 

 

Esta etapa consistiu de suma importância na preparação da equipe para a inserção em campo, para as possibilidades de diálogo com as entrevistadas, bem como para a elaboração do questionário a ser aplicado. A partir do estudo sistemático de perspectivas teóricas do campo multidisciplinar dos estudos de gênero, sexualidade, preconceito, cidadania e das leituras de etnografias realizadas junto à população de travestis e mulheres transexuais no Brasil (Silva, 1993; Oliveira, 1994; Kulick, 1998:2008; Benedetti, 2005; Pelúcio, 2009), a equipe pode se familiarizar com o universo das trans e travestilidades, bem como se preparar teoricamente para as discussões que suscitariam de tal experiência. Na realidade, esta é uma etapa que transpassa todo o processo da pesquisa, desde a fundamentação teórica do objeto de estudo à contribuição com elementos que subsidiam a análise futura dos dados obtidos (Lima e Mioto, 2007). 

 

Elaboração do questionário  

 

Esta etapa desenvolveu-se a partir do diálogo direto com a comunidade de travestis e mulheres transexuais, responsável tanto pela orientação acerca dos pontos a serem abordados no questionário, como por auxiliar na própria construção das perguntas, de forma a não haver equívocos ou má interpretação entre as participantes. Também se considerou nesta elaboração algumas demandas levantadas no 7º Encontro de Travestis e Transexuais da Região Sudeste, realizado pelo Nuh/UFMG em maio de 2012, que demonstraram a necessidade de se pesquisar o acesso aos serviços públicos e as situações de violência que as acometem, de forma a instrumentalizar o poder público com informações sobre esta população.  

 

Por meio de 243 perguntas, algumas fechadas outras abertas, o questionário abarca os seguintes temas: características sociodemográficas, escolaridade, família, religião, migração/moradia, trabalho sexual, outros trabalhos, transformação do corpo, saúde, uso de preservativo/camisinha, política pública, violência, uso do tempo/lazer e cotidiano.  

 

Reuniões

 

Semanalmente eram realizadas no Nuh/UFMG reuniões para supervisão dos trabalhos desenvolvidos e para discussões a respeito dos novos passos e estratégias de continuidade da pesquisa. Também havia reuniões quinzenais destinadas ao estudo de bibliografia selecionada pelo coordenador ou eleita pela própria equipe de pesquisa. Sobretudo nos períodos de realização do trabalho de campo, essas reuniões eram de suma importância, sendo o momento em que a equipe compartilhava as experiências específicas de cada campo e discutia os dados obtidos por meio das observações participantes. Vale destacar a participação e debates entre equipe e importantes militantes e/ou pessoas de referência da comunidade em questão para ressignificar os contextos, melhor compreender as demandas, os vocabulários, as estratégias, inserções e intervenções que o Projeto poderia promover. 

 

Trabalho de campo 

 

Conforme Lakatos & Marconi (2001), a pesquisa de campo consiste na observação de fatos e fenômenos tal como ocorrem espontaneamente, na coleta de dados a eles referentes e no registro de variáveis que se presumem relevantes para analisá-los. Levando, pois, em consideração tais aspectos, tal procedimento metodológico foi extremamente importante para a apreensão dos processos e significados produzidos no contexto das experiências travestis e mulheres transexuais aqui estudadas. 

 

Por meio do mapeamento realizado pelo estágio em 2010 percebeu-se uma diversidade de locais em que travestis e mulheres transexuais exercem trabalhos sexuais em Belo Horizonte e Região Metropolitana, o que foi confirmado durante a realização da pesquisa. Destaca-se que essas áreas estão marcadas por diferenças substantivas e que se referem tanto à localização geográfica das mesmas, quanto à natureza desses espaços (comerciais ou residenciais). Essas diferenciações influenciam a organização de travestis e mulheres transexuais em tais espaços e implicam dinâmicas muito específicas para cada um desses locais. Assim, há uma conexão direta entre as regiões ocupadas para o trabalho sexual e o perfil da população, as formas como elas se apresentam publicamente, a gestão da segurança pública, os índices de violência, o tipo de clientes que atendem e com quem se relacionam nestes espaços. 

 

Tais apontamentos serviram de base para decisões sobre em quais locais seriam realizados os trabalhos de campo. Pensando em riscos e facilidade de acesso da equipe, foram decididos os seguintes locais: Avenida Afonso Pena; Avenida Santos Dumont; Avenida Pedro II, o Bairro Santa Branca (Região da Pampulha) e a Praça dos Trabalhadores (Contagem), os quais foram acompanhados/monitorados semanalmente. Vale ressaltar que Contagem não era uma área contemplada pelo estágio curricular, sendo um campo que não estava ainda bem delimitado e as primeiras visitas foram feitas com o intuito de descobrir e mapear a área próxima à Praça da CEMIG. 

 

Para a inserção nestes espaços, adotou-se a distribuição de preservativos e gel lubrificante, estratégia utilizada como forma de aproximação e de contribuição para o processo de prevenção às DST’s/AIDS. As visitas iniciais foram acompanhadas por travestis com quem a equipe já mantinha contato, as quais foram essenciais nesta etapa, tanto para nossa familiaridade com o campo, quanto para nossa reflexão sobre as formas de abordagens a serem utilizadas.  

 

Os trabalhos de campo se iniciaram em agosto de 2012 e foram finalizados em 2014. A equipe esteve dividida em dois grupos, cada um compreendendo às seguintes áreas de referência: a) Avenidas Santos Dumont e Pedro II e b) Bairro Santa Branca (Região da Pampulha) e Praça dos Trabalhadores (Contagem). As visitas à Avenida Afonso Pena foram interrompidas, ainda no início da pesquisa, devido a própria dinâmica deste campo que dificultava o acesso às travestis e mulheres transexuais que trabalham neste local. Até dezembro de 2013 as visitas foram realizadas semanalmente, passando a ocorrer, a partir de janeiro de 2014, quinzenalmente. 

 

Após o período de inserção nos campos e do estabelecimento de tais vínculos, os questionários estruturados foram aplicados às travestis e mulheres transexuais, com participação de caráter voluntário e em local previamente acordado, mantendo a privacidade e anonimato das participantes, conforme informado no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) assinado pelas participantes. Os agendamentos foram feitos em campo ou via contato telefônico, e as aplicações ocorreram em bares próximos ao campo, no próprio campo, na casa das entrevistadas ou nas casas de diárias.  

 

A seguir, uma sucinta caracterização de cada campo, a fim de familiarizar o(a) leitor(a) aos contextos que envolvem este estudo: 

 

Avenida Afonso Pena: É um local de destaque no que se refere ao trabalho sexual de travestis e mulheres transexuais. Por se localizar em uma região nobre da capital e ser uma via de grande circulação de carros e clientes (os quais, aparentemente, apresentam médio a alto poder aquisitivo), a prostituição neste local fornece certo status para travestis e mulheres transexuais neste universo, informação que foi coletada dos próprios relatos de campo. Esta, porém, foi uma área abandonada pela equipe ainda no início da pesquisa, uma vez que a grande movimentação de pessoas neste espaço impossibilitava que os membros da equipe pudessem estabelecer um diálogo mais profundo com as travestis e mulheres transexuais ali presentes. Percebendo a pouca produtividade do trabalho neste ambiente, optou-se por reservar a atuação a outros pontos da cidade. Destaca-se, porém, que é relativamente alto o número das participantes desta pesquisa que batalham nesta avenida, enquanto batalham também em outras regiões.   

 

Avenida Santos Dumont: Situada na região central de Belo Horizonte, em uma área inteiramente comercial, é marcada pelo grande fluxo de pessoas e tráfego de automóveis. Devido à dinâmica imposta por tal localização, o trabalho nesta região obedece à seguinte especificidade: em busca de possíveis clientes que trabalham no centro ou então que passam por ele, o horário em que as travestis e mulheres transexuais começam a batalhar na região é a partir das 19 horas ou pouco depois do fechamento das lojas. No trecho da avenida em que elas se encontram, há três motéis (dois do lado em que elas batalham e outro do outro lado da avenida), sendo um desses e mais outro (localizado na Rua Curitiba) motéis recentemente abertos, onde as travestis e mulheres transexuais alugam quartos por determinados períodos do dia,  atendendo clientes que ali circulam (motéis conhecidos como “sobe-e-desce”). Esta foi uma transformação decorrente das reformas realizadas para a Copa do Mundo de 2014, tendo a Avenida Santos Dumont sido interditada por um longo intervalo de tempo anterior ao evento, o que levou travestis e mulheres transexuais a desenvolver estratégias para seguir batalhando na região, a despeito de todas as dificuldades “logísticas” que se interpuseram. Muitas travestis e mulheres transexuais que iniciaram pagando “turnos” por estes quartos acabaram por alugá-los, posteriormente, onde passaram, de fato, a residir. 

 

Bairro Santa Branca: Situado na região da Pampulha de Belo Horizonte, é uma área predominantemente residencial. Contudo existem muitos motéis próximos um ao outro, dentro do próprio bairro, sendo estes os locais em que a maioria das travestis e mulheres transexuais realizam seus trabalhos sexuais. Estes estabelecimentos ficam próximos a uma avenida movimentada e que dá acesso ao bairro e a outros pontos da cidade, a Av. Dom Pedro I. Diferente dos outros locais pesquisados, o bairro possui um baixo fluxo de pessoas e de tráfego de automóveis, sendo caracterizado pelo movimento do próprio bairro, bairros próximos, circulação de ônibus e dos próprios clientes. Todavia, após a construção de dois viadutos no bairro, decorrente das reformas realizadas para a Copa do Mundo de 2014 e localizados próximos ao ponto de prostituição, o fluxo teve um aumento significativo, mas não aumentou o número de clientes. Devido à dinâmica imposta por tal localização residencial, o trabalho nesta região obedece à seguinte especificidade: em busca de possíveis clientes, o horário em que as travestis e mulheres transexuais começam a batalhar na região é a partir das 20 horas, algumas ficando por lá até mais tarde ou, em outros casos, migrando para outro ponto de prostituição da cidade. As travestis e mulheres transexuais ficam distribuídas em um quarteirão do bairro onde se localizam a maior parte dos motéis – entre as Ruas Antero de Quental, Monte Castelo, Téles de Menezes e Rua Montese; embora algumas também se encontrem para além desse perímetro. 

 

Praça dos Trabalhadores (Contagem): Localizado em um encontro de avenidas, em que a Avenida Babita Camargos é a mais movimentada, a Praça se encontra na região Industrial de Contagem. Deste modo, possui intenso tráfego de carros, motos, caminhões e ônibus, tanto no período diurno quanto no noturno, porém, no que se refere à circulação dos pedestres, esta se reduz durante o anoitecer. As travestis e mulheres transexuais chegam tarde para batalhar, depois das 22 horas. Elas ficam próximas em um ponto mais iluminado do local, pois a região é muito escura, deserta e muito violenta. Os programas são feitos dentro dos veículos (principalmente caminhões e carros) ou na rua; há um drive in distante do local que raramente é usado por elas para fazer os programas. Não há residências, pois se trata de uma região industrial, onde os principais movimentos se dão pela grande circulação de caminhões e por uma casa de shows próxima à praça. 

 

Avenida Dom Pedro II: É uma avenida predominantemente comercial e que dá acesso a outras importantes vias de Belo Horizonte. Deste modo, possui intenso tráfego de carros e de ônibus tanto no período diurno quanto no noturno, porém, no que se refere à circulação dos pedestres, esta se reduz à noite. É uma avenida extensa, onde há travestis e mulheres transexuais batalhando em um percurso de quase três quilômetros (entre as Ruas Manhumirim e a Rio Casca), embora algumas também se encontrem para além desse perímetro. Sua distribuição se dá de forma espaçada pelas esquinas da avenida, localizando-se, principalmente, ao lado direito da pista (sentido centro). Geralmente, o horário em que chegam ao local é no final da noite, sendo somente a partir das 23 horas que a rua possui um número mais expressivo de travestis e mulheres transexuais. É raro vê-las antes das 22 horas, com exceção daquelas que se dizem “casadas” e que, portanto, voltam mais cedo para suas residências, a fim de ficar com os maridos. 

 

Conforme já ressaltado, a distribuição de preservativos e de gel lubrificante foi uma estratégia acionada pela equipe para a aproximação e primeiro contato junto às travestis e mulheres transexuais, porém este foi um procedimento empregado ao longo de todo o trabalho de campo. Essa aproximação foi um processo moroso e que exigiu uma atuação extremamente cuidadosa, sendo permitido à equipe, paulatinamente, adentrar neste universo, o que somente foi possível pelas relações de confiança que se estabeleceram. A recorrente desconfiança de travestis e mulheres transexuais com relação aos pesquisadores que as procuram, dos trabalhos com que já contribuíram de alguma forma, a descrença nos órgãos públicos ou as dúvidas sobre os benefícios que podem ser trazidos por meio de pesquisas, inclusive esta, configuraram-se em ponto de constante tensão para a equipe. Desta forma, o esforço empreendido ao longo do processo consistiu em buscar não reproduzir tais impressões, estabelecendo uma relação que não reforçasse esses modelos. Neste sentido, as insistentes idas a campo, mesmo quando as condições não eram completamente favoráveis à equipe, o desenvolvimento de atividades paralelas que pudessem contemplá-las, bem como uma busca por ligações menos superficiais e mais profundas com as mesmas, foram de importância fundamental para o estabelecimento de relações mais concretas, o que favoreceu o desenvolvimento das diferentes etapas da pesquisa.  

 

As datas escolhidas para as visitas de campo semanais correspondiam aos dias em que seria mais fácil conversar com as travestis e mulheres transexuais sem atrapalhá-las em seu trabalho, o que excluía aqueles em que a circulação de clientes era muito alta, como é o caso dos finais de semana. Os horários escolhidos para estas visitas, por sua vez, consistiam naqueles em que seria encontrado razoável número delas pela pista.  

 

Verificou-se, ao longo da pesquisa, que as aplicações dos questionários nos locais de trabalho de travestis e mulheres transexuais não era uma opção muito plausível, seja para a equipe seja para as entrevistadas. Por se tratar de um questionário muito amplo e que exigia disponibilidade de tempo para ser respondido, realizá-lo nesses espaços acabava por comprometer o horário de trabalho das entrevistadas, além de a própria dinâmica da rua impedir sua concentração durante o procedimento – seja pela circulação de clientes, pedestres ou mesmo das próprias travestis e mulheres transexuais com quem dividiam espaço. Felizmente, a consolidação dos vínculos com algumas travestis e mulheres transexuais possibilitaram à equipe seu trânsito a outros ambientes como suas casas, pensões e bares (em suas companhias), situações em que foram realizadas muitas aplicações de questionário e que demonstraram as potencialidades destes espaços para a coleta dos dados, não mais limitada ao espaço das pistas

 

É interessante ressaltar como esse deslocamento do espaço público e noturno da pista para os âmbitos privados de suas casas ou casas de diárias, e em períodos diurnos, possibilitou à equipe observações de suas vivências, rotinas, sociabilidades e conjugalidades que, em outros momentos, não poderiam jamais ser realizadas. Assim, elementos significativos e, ao mesmo tempo, bastante sutis de seus cotidianos puderam também integrar-se às investigações de campo, configurando-se em importante material para as reflexões desta pesquisa. Desta forma, a observação das relações com os maridos, amigxs, donas de casa e com a própria vizinhança puderam ser integradas neste projeto e exploradas de forma muito mais segura com base nos dados coletados e anotados nos diários de campo da equipe. 

 

Aplicações dos questionários: 

 

Cento e quarenta e uma (141) travestis e mulheres transexuais participaram da pesquisa, amostra considerada representativa para este projeto, tendo em vista o caráter transitório e flutuante destes segmentos nos espaços urbanos que, dentre múltiplos fatores, deve-se às próprias necessidades que o mercado sexual impõe a este universo. Além disso, a amplitude do questionário, finalizado em 243 questões, foi um fator de complicação em alguns casos, dado a demanda de tempo exigida para que o mesmo fosse respondido. Uma estratégia utilizada pela equipe, conforme já salientado, foi o contato estabelecido com algumas donas de casa, o que nos permitiu frequentar suas residências realizar a aplicação de questionários às travestis e mulheres transexuais que moravam com elas.  

 

Conforme já apontado, as condições de aplicação foram bastante variáveis, obedecendo a exigências específicas impostas a cada contexto. Assim, a coleta de dados via questionário foi realizada em diferentes lugares, horários e com intervalos de tempo muito diferenciados. Os tempos mínimo e máximo das aplicações estiveram em torno dos 12 e 217 minutos, respectivamente, alcançando uma média de 48,49 minutos. Já no que se refere à distribuição das aplicações pela natureza dos locais em que foram realizadas (pistas, casas e bares) tem-se a seguinte divisão: 

 

Tabela 1 -Distribuição do local de aplicação do questionário

 

*Dados referentes a 141 questionários 

 

Diante deste quadro, percebe-se a importância de se ter tido acesso a outros espaços para além das pistas onde travestis e mulheres transexuais trabalham para a realização desta pesquisa. Tal acesso só foi possível, vale destacar, por meio do investimento constante e temporal nestas relações, facilmente fragilizáveis, uma vez que esta é uma população diariamente violentada nos múltiplos espaços (físicos e simbólicos) pelos quais circula.  

As aplicações ocorreram entre setembro de 2012 e julho de 2014. De setembro a dezembro do primeiro ano, foram realizadas 12,77% (18) das aplicações; de janeiro a dezembro de 2013, 82,77% (116) delas; e, entre janeiro e julho de 2015, foram realizadas 4,96% (7). O gráfico que se segue apresenta essa divisão: 

 

Gráfico 1 - Percentual de questionários aplicados, segundo ano (2012, 2013, 2014) 

 

 

Análise estatística e resultados 

 

 Os dados coletados foram organizados em um banco de dados utilizando o software StatisticalPackage for Social Sciences® (SPSS®) na elaboração da máscara e extração dos dados dos questionários. Após a construção do banco foi realizada a análise de consistência desses dados e, posteriormente, realizadas as distribuições das frequências das variáveis e suas correlações no mesmo software. As distribuições das frequências são descritas em frequências absolutas, relativas (percentual) e relativa acumulativa.

 

                                                                                Realização

   Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT (NUH/UFMG)

Telefone: (31) 3409-6287

Endereço: Sala 2003 Fafich,

Universidade Federal de Minas Gerais

Av. Antônio Carlos, 6.627, Pampulha,

Belo Horizonte /MG, CEP : 31270-901 

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